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A culpa é da internet! Como um simples “clique” mudou radicalmente a vida da minha irmã.

Ana e Kaline são irmãs e durante muitos anos elas dividiram o quarto, roupas, segredos e viagens. A primeira que fizeram sem os pais foi em 1998, logo depois da Copa do Mundo, e tinha a Europa como destino. Como era a primeira vez fora do país elas decidiram não arriscar e compraram uma excursão de 15 dias pelo mar Mediterrâneo com um bilhete em aberto que permitiria outros 15 em visita livre pela Itália. Como todo mundo que compra uma viagem como essa elas estavam tranqüilas em relação a alguns detalhes : o bilhete de avião, o ônibus que as levaria de um lugar a outro, os hotéis espalhados pelos quatro países em questão e um guia para mostrar os monumentos mais importantes. Mas também havia algumas dúvidas : se passar por várias cidades em pouco tempo não seria muito corrido, se elas poderiam descansar, como seria a segunda parte da aventura em “vôo solo” pela Itália e quem seriam os companheiros de viagem. A resposta para a última questão foi a primeira a ser respondida : três rapazes entre 25 e 30 anos, também de Brasilia, instalados no fundo do ônibus que as levaria ao hotel em Lisboa. Logo os cinco formaram um grupo. Inseparável. Nada de beijos, nem abraços, mas durante os 15 dias da excursão os novos amigos estavam sempre juntos aproveitando cada minuto do dia, e principalmente na Espanha, da noite. Foi em Madrid que Kaline tomou um porre, segundo Ana, espetacular. O vinho tinto desceu como àgua e a volta para o hôtel foi a única e melhor solução. Em outras noites, eles se encontraram com os outros colegas de excursão já tomando café e tiveram que correr, e numa dessas correrias Ana esqueceu uma mala em Madrid. A falta de atenção custou caro: ela teve que pagar uma passagem de trem para que a mala fosse embarcada para Barcelona. Abençoadas horas de estrada, e de descanso, entre uma cidade e outra : Zaragosa, Nice, Pisa e Roma. Ponto final para o grupo, era hora de voltar para o Brasil para uns e de continuar a aventura pela Itália para outros. Entre Verona, Veneza e o lago de Garda Kaline se apaixonou pelo país. Estava encantada com a língua, a elegância das mulheres e com os italianos.

Foi com esse sentimento que ela voltou ao Brasil. Em casa, se inscreveu em vários sites com o objetivo de trocar idéias e informações com outras pessoas que também tinham o mesmo interesse. Não sei quanto tempo levou para que um certo Franco entrasse em contato. Italiano, da região montanhosa de Abruzzo, ele viu o nome diferente em um dos tais sites e decidiu começar uma conversa. Mal sabia ele que estava começando uma outra coisa, bem mais complexa e com muito mais conseqüências que um simples bate-papo.

O esforço de comunicação vinha de ambos os lados, Kaline com o seu dicionáriozinho de italiano e Franco com paciência para conversar d-e-v-a-r-z-i-n-h-o-q-u-a-s-e-i-r-r-i-t-a-n-d-o. A troca de e-mails durou oito meses e se acelerou quando Franco decidiu passar o aniversário dela no Brasil. Hora de comunicar a novidade aos pais. Dona Edna reagiu com a delicadeza e a doçura de sempre : “Não quero nenhum assassino-mafioso na minha casa”. Com uma desculpa sobre “espaço”, o roteiro foi alterado e o italiano seria hospedado no apartamento da Ana. “Durma com as portas trancadas”, completou Dona Edna com um receio comprensível de mãe. Franco chega e quase vai embora logo depois, não, nada a ver com a recepção da candidata a sogra, mas com uma série de atrasos que desembocaram em um grande desencontro no aeroporto JK em Brasília. Ana e Kaline chegaram cedo, verificaram a hora do vôo e esperaram, muito, por várias horas. Ninguém tinha notícia de Franco, que vinha pela primeira vez ao Brasil. Enquanto as irmãs tentavam descobrir o paradeiro do italiano ele rodava perdido no aeroporto sem saber se pegaria o próximo avião para o Rio ou se voltava para casa. Antes disso, ele tenta a última ficha e liga para o celular da Ana – esse número era a única informação que tinha de Kaline, já que havia esquecido de pegar o endereço e o telefone de casa. Felizmente, o celular tocou no momento certo e Franco pôde encontrar Kaline pela primeira vez e o primeiro encontro, como todo primeiro encontro, foi com sorrisos amarelos e tentativas meio sem graça de começar uma conversa. O que não foi fácil, já que ao vivo e sem o dicionáriozinho, era preciso ter ainda mais paciência. Mas nada parecia abalar o italiano, aos 42 anos, funcionário da FIAT, ele estava tranqüilo e confiante na decisão que havia tomado. Sem reservas, ele mostrou logo de cara que a afinidade com Kaline ultrapassava a barreira da tela e do teclado e que o quê começou por brincadeira poderia se tornar algo bem mais sério. Tão sério como os pacotes de macarrão e de café Lavazza – segundo ele o melhor do mundo – que ele trouxe na mala. Sem esquecer a mini-cafateira expresso, evidentemente.

Franco entrou no apartamento da Ana como um desconhecido, cozinhou divinamente durante quinze dias, saiu como um gentleman e voltou para casa com uma intenção : levar Kaline. Mas a idéia teve que ser adiada, ela tinha medo de trocar de língua, de hábitos, de deixar os pais e a segurança de uma vida sossegada em Brasília. Ana decidiu dar mais uma ajudazinha e com amigos na embaixada da Itália providenciou um curso, que por “coincidência”, era perto da cidade de Franco. O curso durou um mês, mas o estágio na casa dele se prolongou por quase seis. De volta ao Brasil, a troca de e-mails continuou e ganhou peso com o telefone. Depois de três anos, Kaline decide aceitar o pedido de casamento e volta para a Italia para organizar os papéis e a festa, que começa de manhã cedo na casa do noivo com um coquetel, segue para a igreja e termina na manhã seguinte depois de horas de boa música, dança e um jantar excelente, com primeiro prato, segundo, terceiro, quarto…

Kaline estava linda em um vestido branco de alças com saia armada bordada em pérolas, de pérolas também era o brinco, uma jóia de família. A decoração usava flores amarelas, a cor preferida da noiva, leonina sempe ensolarada e nesse dia mais do que nos outros. Ana não pôde ir, estava doente, já Dona Edna que começou a levar o genro a sério depois do noivado aproveitou a primeira vez na Europa para encher a mala de sapatos no mercado de Lanciano, cidade a 30 Km de Torricella Peligna onde Kaline e Franco começaram a nova etapa. Seu Clementino, pai de Kaline, estava orgulhoso da filha, mas não escondia a tristeza das futuras despedidas. E desde então foram muitas, o casamento celebrado em 2000 dura até hoje, e José Sebastiano, o filho de três anos (foto no alto), é a prova de que internet pode ser um bom começo, um começo como qualquer outro, só depende de cada um acreditar, aceitar e viver, ou não, a sua história.

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