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“Gîte” rural em cidade abandonada vira cenário de festa para um aniversário à Brasileira.

Imagine uma cidade que desapareceu do mapa em novembro de 1933, vítima do éxodo rural. Imagine que desta cidade só restaram ruínas de casas, do presbitério, do cemitério, da escola e uma história que remonta a 3200 – 2200 A.C. (presença humana registrada em uma caverna da região). Imagine que nesta cidade viveram apenas 50 pessoas no Século XV, 120 em 1783 e 177 em 1881. A igreja, fundada em 1155, fechou as portas em 1907, e em 1943, 10 anos depois que a cidade foi anexada a uma outra – Aspres – a Administração de Aguas e Florestas assinou uma parceria para reativá-la com uma cooperativa agrícola.

Imagine que a cidadezinha escondida no meio de um vale espetacular se tornou um dos escoderijos da resistência durante a Segunda Guerra e que depois da liberação veio um novo fôlego com a celebração de 3 casamentos e 18 batizados. Mas a distancia, o isolamento e a dificuldade de acesso – ainda hoje precisamos passar por uma estrada de terra para chegar até ela – determinaram, de novo, o fim de Agnielles.

Agora imagine o trabalho de recuperação do governo francês que comprou os 937 hectares da comunidade e começou a transformar o que não existia mais em uma ótima opção para quem gosta de escalada ou simplesmente quer um fim de semana diferente. Hoje, Agnielles – à 159Km de Aix-en-Provence – é um gîte. No dicionário a explicação é a seguinte : casa privada situada no meio rural destinada a receber turistas. Mobiliada e independente, esse tipo de vivenda pode abrigar famílias ou grupos inteiros.

Exatamente o que Danielle estava procurando para comemorar com estilo o aniversário de 35 anos, um lugar cheio de charme para receber 15 adultos e 8 crianças. Entre os conhecidos estavam a Rosinete, o Ludovic e o Tiago, a Anne Sybille com o Manu e os filhos e a Ana Carolina, mãe do Noé. Solange, a mãe da Danielle veio do Rio de Janeiro para a festa e a Raquel, mãe da Anne, de São Paulo. Também vieram de longe, a Lúcia com o Bertrand de Lion e Daniela e Gilles de Genebra. Todos com uma característica em comum : mulheres brasileiras casadas com franceses.

No programa : colocar a conversa em português em dia, brincar com as crianças, tentar não se estressar com a Chloé correndo tranqüila no meio das pedras e do matagal, jogar “petanca” (mais conhecida no Brasil como bocha), fazer caminhadas, tomar banho no rio e preparar as refeições. Pilotando o fogão, o chef franco-belga-canadense-brasileiro-de-coração-marido-da-Danielle Jean-Christophe que preparou um excelente penne com salmão e ovos com bacon para o brunch do domingo. Ops ! Mas antes de chegar lá preciso fazer uma pausa na noite do sábado. No menu : estrogonofe de frango com arroz e batata frita, de sobremesa bolo de abacaxi com cerejas e ameixas. Trabalho da Rosinete para preparar e trazer tudo pronto.

Entre uma olhadinha e outra para ver se Chloé e as outras crianças dormiam, começou a festa com a distribuição dos presentes. Uma bela manta em crochê, cumbucas de cerâmica para aperitivo, um fim-de-semana em um spa, brincos, e para criar “um clima” duas camisolas, como disse Anne Sybile “para dias de chicote e de champagne”, o que vai depender do humor e da disposição. Por falar em disposição ela não faltou. Sucessos brasileiros e internacionais dos anos 70, 80, 90 e alguns bem mais recentes fizeram os amigos dançar até as duas da manhã, o que já foi ótimo se considerarmos que as janelas não tinham proteções nem cortinas e o sol nos acordou sem piedade às seis da manhã.

Aos poucos os “hóspedes” se encontraram para o brunch. Mais um momento para trocar idéias, informações e impressões. Falou-se muito do Brasil, da saudade, da violência, e da expectativa de uma nova vida para Daniela e Gilles, de malas quase prontas para se instalarem no Rio pelos próximos quatro anos. O trabalho exigiu a mudança, mas foi o coração quem escolheu o destino. Ficamos torcendo para que a cidade-que-já-foi-maravilhosa (como diz a Solange, acreana de nascença e carioca por opção) lhes abra os braços com carinho. Falou-se também das vantagens da vida na Europa e da dificuldade para se integrar e conseguir reconhecimento, principalmente quando uma reconversão profissional é exigida, como foi o caso de todas nós. Também não faltou tempo para risos, lágrimas, abraços, beijos e até mágica. Mas magia mesmo foi de se encontrar neste lugar perdido, conhecidos e desconhecidos, adultos e crianças, e nele passar um fim de semana como poucos, como poucos são os amigos que fizeram deste aniversário uma data inesquecível.

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