Contato : +33 (0)4 42 26 40 34 WhatsApp : +33 (0)6 09 01 49 97

A professora Matilde Pereira da Silva, que conheci quando fazia o meu mestrado no IEP de Aix-en-Provence, é a nossa entrevistada de hoje.

Imagine uma tarde de sol em pleno verão europeu. Agora veja uma mesinha em um terraço onde está sentada uma bela paulista de 48 anos. Ela usa um vestido azul florido, tem os cabelos curtos e em uma conversa agradável me faz um rápido resumo desde 1984 quando decidiu se mudar para a França. “Vivi em vários países, sete para ser exata, a maioria na Europa e em algumas cidades dos EUA, e conheci outros tantos (mais de 25). Estudei na Mackenzie, em São Paulo, me formei na Sciences PO, na França, e estudei também em outras universidades em Miami, Paris e Aix. Mais tarde gostaria de passar um tempo no Japão, pois aprendi o japonês, embora não fale correntemente. Não desprezo o valor do êxito profissional nem o conforto material, porém eles nunca foram o objetivo central da minha vida. A amizade, a qualidade de vida, a troca com aqueles que amo são o centro da minha atenção. Tenho um filho franco-brasileiro maravilhoso, uma família brasileiríssima que é o meu oxigênio e amigos em vários cantos do mundo, esses sim, o meu verdadeiro tesouro.” A professora Matilde Pereira da Silva, que conheci quando fazia o meu mestrado no IEP de Aix-en-Provence, é a nossa entrevistada de hoje.

Você vivia em Paris quado decidiu se mudar para Aix-en-Provence, por quê fez essa escolha?
Meu filho era adolescente na época, achei que Aix correspondia mais à sua idade e por isso sai de Paris e vim para o Sul.

Você poderia nos citar quais são os motivos de alegria depois que saiu do Brasil e chegou na França?
A vida ! Isso é igual no Brasil, aqui ou em qualquer canto do mundo !

E quais os motivos de tristeza depois da partida ?
Não duram, assim eu os esqueço…

Quais os hábitos que foram adquiridos na França ?
Não gosto muito de conservar hábitos, pois acabam impedindo aberturas, perspectivas novas. Busco sempre olhar as coisas, as pessoas, sem critérios, sem a priori, pousando um olhar cada vez novo.

Do que mais sente falta em relação ao Brasil ? Jiló, adoro jiló !!

Qual a língua que você fala dentro de casa ?
Português, francês, inglês, depende de com quem estou.

O seu marido ou campanheiro francês fala português ?
Sou divorciada, mas meu ex-marido fala português melhor até que muitos brasileiros.

O seu filho é bilíngue ?
Christophe é poliglota.

Por quê você decidiu ensinar o português a ele ?
Não o ensinei a falar português, eu o amei em portguês. Falava, respirava, vivia com ele dentro da energia brasileira, posto que o Brasil está em mim, não há separação! O fato de falar uma outra língua, de estar em outro país, nunca impediu que o Brasil esteja presente, sempre, de maneira total.

Você aprendeu a falar francês aqui ou no Brasil ? Foi difícil ? Levou quanto tempo para que você dominasse bem a língua ?
Aprendi em SP, aprimorei na França. Amo a língua, o país, assim nao foi difícil. Aprendi seis línguas, estou aprendendo latim, penso que quando há motivação e necessidade não há dificuldade. Língua não é matemática, é possível aprender sem quebrar a cabeça. O importante é fazer com método e perseverança. A língua japonesa foi a mais difícil para mim porque é totalmente diferente da nossa, mas foi possível. O meu filho aprendeu chinês, após ter aprendido quatro outras línguas, tudo é uma questão de método. Para mim, o essencial não é falar outras línguas, o essencial é comunicar. Não quero dizer com isso que não seja preciso aprendê-las bem para falá-las bem. Ao contrário, penso que é importante não somente falar, mas escrever, falar bem, pois atrás de cada língua há uma grande história de amor. Amor de um povo por sua cultura, por sua especificidade, um tesouro humano. Prefiro aprender bem e profundamente e com muito respeito do que mal e de forma superficial. Sei que é preciso tempo e dedicação. Assim, trata-se antes de tudo de « como, porquê e para que » buscar aprender. Não me interessa acumular conhecimento, mais busco conhecer os outros, as pessoas. A língua nada mais é que um passaporte, um instrumento de descoberta do outro. Mas se não falarmos a mesma língua, isso não nos impedirá de comunicar com o outro, já que a língua universal é a do amor, da amizade, um sorriso, escutar o silêncio do OUTRO, com respeito com o coração aberto, as mãos estendidas, isso tem mais valor do que qualquer outra postura.

Além da língua, quais seriam as outras característica da cultura brasileira que você gostaria de passar ao seu filho ?
Passo tudo que posso, me dou inteiramente, sem escolher, o Brasil é importantíssimo, mais do que nossas raízes, ele é TUDO. Sem por isso me restringir a uma atitude nacionalista ou patriótica exacerbada. Brasil para mim rima com AMOR UNIVERSAL, não há espaço no coração de uma brasileiro para fronteiras, muros que nos separem dos outros, a essência, a gênese do povo brasileiro sempre foi a abertura, com jeitinho, sorriso, alegria, paz. Nós podemos ser assim porque somos frutos do mundo inteiro. Nossa especificidade é o fato de ser BRASILEIRO, síntese de cruzamentos de povos sui generis, o que nos deu uma imensa capacidade de recepção sem anulação de nossas particularidades . Há vários anos que estou pelo mundo e ao entra em contato com outras culturas a minha brasilidade tornou-se e torna-se cada vez mais intensa, transparente, serena. Mas penso que esse processo também pode se dar com outros povos. O Francês também pode completar-se com o estrangeiro sem perder sua especificidade. Tal como o Amor, quanto mais o damos mais ele aumenta, nunca diminue.

Quais as maiores dificuldades vividas por aqui ?
A saudade daqueles que amo e que estão longe, mas basta ouvir uma música, dançar um sambinha, uma bossa nova para dissipar a tristeza. Não há distância no mundo que nos separa do Brasil!

Teve problemas para resolver a papelada e conseguir o visto de permanência ?
Não, nunca, vim casada, nunca tive problema de papel. Tenho a nacionalidade francesa.

Quais as facilidades francesas que não existem no Brasil e que são fundamentais na sua vida hoje ?
A tranquilidade, a segurança e a qualidade de vida (saúde, estudos grátis).

Na cozinha, qual é a culinária que manda a brasileira ou a francesa ?
Gosto das duas.

Você tem algum vinho preferido ?
São vários os bons vinhos! PETRUS é um dos melhores do mundo, mas atenção : é caríssimo!!!

Você teve alguma experiência ruim na França ?
Não me lembro. Não costumo conservar coisas ruins. Para quê? Uma vez que aprendi vou em frente. No entanto, posso dizer que é preciso ser prudente, onde quer que você esteja, mas sem medo. Basta usar a inteligência e a sensatez.

Já sofreu preconceito por ser estrangeiro ?
Sim, em todos os lugares do mundo, inclusive no Brasil.

Você volta ao Brasil com qual frequência ?
Sempre que posso.

Você pensa em voltar definitivamente para o Brasil ?
Ce n’est pas exclu (a possibilidade sempre existe).

Procurando hospedagem ? 

Clique aqui e veja com quem trabalhamos: Booking. 

A nossa assessoria é gratuita para todos os clientes que optam por se hospedar com os nossos parceiros. Além de contar com a consultoria de quem conhece e mora na Provence, você não paga mais nem um centavo por isso.

Aguardamos o seu mail caso tenha alguma dúvida de como funciona o nosso serviço: site@naprovence.com.

Tags:, , ,

One Reply to “A professora Matilde Pereira da Silva, que conheci quando fazia o meu mestrado no IEP de Aix-en-Provence, é a nossa entrevistada de hoje.”

Veiga
5 fevereiro 2010
É inteligente saber ver o mundo sem perder as suas génesis. Pessoa sensata a entevistada.
Responder

Deixe um comentário

Nota: Os comentários no site refletem as opiniões de seus autores, e não necessariamente as opiniões do portal de internet NaProvence. Você deve abster-se de insultos, palavrões e expressões vulgares. Reservamo-nos o direito de excluir qualquer comentário sem aviso prévio ou explicações.

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos obrigatórios são assinados com *