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Você sabia que a palavra “viagem” veio do provençal “viatge”? Curiosidades sobre línguas e viagens em um texto de Deonísio da Silva.

Três provisões são indispensáveis aos turistas: a língua, o passaporte e o dinheiro. Ainda assim, este último vem sendo substituído pelo cartão, há alguns anos apenas de crédito e mais recentemente também de débito. Quanto à língua, o inglês, o latim do império, tornou-se o dólar da comunicação universal, ao lado de outras moedas de circulação lingüística, como o francês, o espanhol, o italiano e o alemão. A modernidade e a informática facilitaram muito a vida dos viajantes. Se o turista quiser dinheiro vivo – bela expressão, que supõe um dinheiro morto ou adormecido – é só ir a algum caixa automático e sacar a quantia necessária para pequenas despesas. Se precisar saber com urgência o significado de uma palavra ou expressão, poderá consultar pequeno livro de viagem, de qualquer língua de sua conveniência ou um dicionário eletrônico de bolso, pouco maior do que um cartão de crédito. Já com o passaporte não é bem assim. Apesar de simplificadas as exigências, sua obtenção ainda demanda alguns dissabores. E além do mais há a exigência adicional daqueles países que exigem vistos. Ou exigem vistos para quem vai a algum país vizinho deles, como fazem os EUA com os brasileiros que vão México, que devem declarar que de lá não irão aos EUA. O visto, do latim visitus, de videre, ver, examinar, atesta que o cidadão foi visto e examinado, antes de embarcar. Tanto foi examinado que lhe exigiram, em alguns casos, até vacina, do latim vaccina, varíola da vacca, a fêmea do boi, que no português perdeu um ‘c’ e ficou vaca apenas.
Barca é palavra do século 9. Embarcar, do século 14. Mas continuamos a embarcar em ônibus, em trens, em aviões e até em naves espaciais. O verbo eternizou-se, assim como navegar. Hoje navegamos no espaço sideral e na internet. A antiga e prévia alegria das viagens, porém, precursora de outros contentamentos que viriam durante e depois, está sendo maculada por novas exigências. No Brasil e nos EUA, lá como cá, os turistas devem ser fotografados e deixar suas digitais no país que visitam. Nem sempre foi assim. Na antiga Roma, até a mais obscura das viagens, a que se fazia desta para a outra vida, requeria menos cuidados. Um deles era colocar pequena moeda sob a língua do defunto para que ele pudesse pagar a passagem a Caronte, cuja barca o levaria para a outra margem do Rio Estige.
A palavra viagem veio do provençal viatge (dialeto que ainda se fala na Provence) e chegou ao português ainda no século 13. A origem comum foi o latim viaticum, que na Roma antiga designava as provisões de viagem. O latim eclesiástico teve larga influência sobre nossa língua. E viático tornou-se símbolo de hóstia que, redonda como a antiga moeda destinada a Caronte, era a única providência que o cristão precisava para fazer a travessia.
“O cavalo já foi um erro”, disse Thomas Jefferson, o terceiro presidente dos EUA. O certo seria o homem limitar-se apenas até onde levassem suas próprias pernas. Com efeito, ônibus tomba, trem descarrilha, navio afunda, avião cai. Turismo e turista vieram do inglês tourism e tourist, respectivamente. Depois é que foram para o francês tourisme e touriste. Mas o inglês se inspirara no francês tour, viagem, para formar as duas novas palavras no alvorecer do século 19. O francês se inspirara nas palavras latinas tornus, torno, que roda, e tornare, voltar. Com efeito, quem faz um tour, vai e volta.
A padroeira dos turistas nesses tempos de terrorismos, os propriamente ditos e os burocráticos, deve ser Santa Paciência, aliás muito invocada por brasileiros diante de fiscais na volta das viagens: “Tenha a Santa Paciência!”. A via-sacra dos católicos tem apenas 14 estações. A dos turistas, inumeráveis.”
Texto de Deonísio da Silva, publicado no Observatório da Imprensa.

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6 Replies to “Você sabia que a palavra “viagem” veio do provençal “viatge”? Curiosidades sobre línguas e viagens em um texto de Deonísio da Silva.”

Helena
9 julho 2010
Oi Ana, que interessante essa origem da palavra "viagem". Quando morei em Aix, tive contato com algumas pessoas que falavam provençal e achei muitas semelhanças com o português. Por exemplo, o "coume vai?", "noun sai" e "bono annado". Depois, visitando o museu da língua portuguesa, compreendi que realmente essas duas línguas estão mais próximas do que imaginamos...
Um beijo!
Responder
Angélica
9 julho 2010
Hoje foi meu primeiro acesso, direcionada de um outro blog que acompanho. Estou encantada com seu blog! Tanto que fiquei lendo as postagens anteriores e cheguei ao ano passado, nesta mesma data. Parabéns para o Théo e para você que escreve tão bem.
Estive no mês passado, pela primeira vez, na França. Fiquei maravilhada com tudo que vi... Pretendo voltar assim que der e um dos meus objetivos e conhecer o sul. Vou continuar te acompanhando, com certeza.
Por ultimo: moro em Natal, cidade que adotei e me adotou!
Um beijo, Angélica
Responder
Ana Tereza Merger
10 julho 2010
Oi Helena, tb acho o provençal muito parecido com o português, até na sonoridade. Pena nao ser mais ensinado nas escolas. Por ser bilingue, acho que Chloé aprenderia com facilidade. Beijos.
Responder
Ana Tereza Merger
10 julho 2010
Oi Angélica, muito obrigada pela visita e pelo incentivo. Esta sendo um prazer dividir a minha vida com leitores como você. Volte sempre à Provence, virtualmente e, depois, quem sabe, pessoalmente. Beijos.
Responder
Daniel Machado
8 janeiro 2019
Oi tudo bem? Como se pronuncia a palavra Viatge? Pergunto, como sai o som dela mesmo. É "Viatias"ou "Viatitche"? Não sei se entendeu minha pergunta. Queria saber mais sobre o som mesmo, fonética.
Responder
    Na Provence
    9 janeiro 2019
    Oi Daniel, não conheço o som exato. Caso cruze com alguém que fala provençal pergunto qual é a fonética. Beijo.
    Responder

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