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Uma visita à Arles feita pelo repórter Bruno Agostini, de O Globo.

Bruno Agostini conseguiu traduzir o melhor da Provence, região que descobri há exatos sete anos e pela qual me apaixonei. Deguste o texto com calma e aproveite a viagem…

“Para ver o quadro Café, le soir, uma das obras mais conhecidas de Vincent van Gogh, você tem que ir até o obscuro Kröller-Müller Museum, em Otterlo, na Holanda. Mas para ver o próprio bar amarelo, é preciso visitar Arles, na Provence, onde a tela foi pintada. O café ainda está lá, quase do mesmo jeito que em 1888. Só mudou de nome, hoje uma homenagem ao pintor. A colorida região no sul da França há tempos serve de inspiração para artistas de várias áreas, especialmente pintores e escritores. Não é difícil entender as razões. A luz é especial. As cores são diferentes. A Provence é perfumada. Seus vinhos variam da sutileza de rosados clarinhos até a robustez dos Chateauneuf-du-Pape. A cozinha vai pelo mesmo caminho: ervas e peixes, trufas e caças, queijos e embutidos, pães e azeites. Provence é sinônimo de beleza e prazer, é um estilo de vida. Com mar e montanha, sol e neve, a mais charmosa das regiões francesas se comporta – como poucos lugares – de acordo com a estação do ano. Há quem prefira o verão que começa agora, quando as cidades recebem turistas de toda parte atraídos pelos dias quentes e secos, e os campos de lavanda florescem. Outros acham que o outono é o melhor período para se visitar a região, quando os visitantes saem de cena. No inverno, uma boa lareira ajuda a se esconder do poderoso vento mistral e a apreciar os queijos mais gordos e os vinhos mais encorpados. Na primavera, flores variadas colorem ainda mais o cenário. Porque, não importa a estação, a Provence é sempre uma delícia. Em todos os sentidos. Caminhava por Arles meio sem rumo, distraído com os prédios feitos em pedra, graciosos e coloridos, e o movimento nas ruas com lojinhas cheias de charme e sacadas enfeitadas com flores. Até que surge à minha frente um cavalete com uma imagem conhecida – e admirada – há bastante tempo: um quadro de Vincent van Gogh retratando um bar amarelo numa noite estrelada. Uma obra-prima conhecida pelo nome de Café, le soir, ou seja, “Café, à noite”. Simples assim, como são os prazeres da Provence. Atrás da imagem famosa está o próprio bar, hoje chamado Café Van Gogh, em homenagem ao homem que tornou conhecida mundialmente essa birosca francesa. Foi uma emoção, ainda que não houvesse um céu estrelado como na tela. A reprodução da pintura é um chamariz para turistas. Comigo funcionou, e acabei a minha noite lá, depois do jantar, para apreciar a saideira em forma de uma taça de vinho tinto do Luberon. Coisa de 2 euros. Merci. Conectada ao restante da Europa através do trem de alta velocidade (TGV, na sigla em francês), Arles está localizada em ponto estratégico para se explorar uma parte da Provence: fica a menos de uma hora de cidades como Nîmes, Avignon, Aix-en-Provence e Marselha, onde chegam os voos de Paris, além do Luberon. A cidade é cercada por muitos produtores de vinhos e azeites, como o Château d’Estoublon, em Fontvieille, que se dedica à produção de ambos. Funciona ali um restaurante e uma linda loja, com a produção local e muitos outras delícias regionais, além de artefatos de cozinha os mais variados. É tão fácil chegar a Arles quanto se apaixonar pelo lugar, como tantos artistas. O período de pouco mais de um ano em que morou na cidade foi o mais produtivo da carreira de Van Gogh, que sonhava criar ali uma comunidade de artistas – Paul Gauguin foi o único que aceitou o convite, e viveu por lá um curto período que culminou com um episódio trágico da vida de Van Gogh, quando ele cortou um pedaço da própria orelha. Para os fãs do holandês, além de um drinque no café, é obrigatória uma vista ao Espace Van Gogh, outro cenário usado pelo pintor: um antigo hospital no qual ele se internou, com um belo jardim repleto de tulipas as mais coloridas e rodeado por um prédio com arcadas que abriga uma coleção com mais de 200 obras de artistas inspirados por Van Gogh. Também é fundamental uma caminhada noturna à beira do Rio Rhône, paisagem retratada em outro dos quadros mais famosos do pintor, “Noite estrelada sobre o Rio Rhône”, uma das mais fortes inspirações para a música “Vincent”, do cantor e compositor americano Don McLean, aquela que começa com “Starry starry night / Paint your palette blue and grey”… Pablo Picasso também se encantou com Arles, entre outras razões, por causa do pintor holandês, a quem admirava. A cidade é a interseção entre eles. Picasso se interessou pela forte influência espanhola, um traço marcante desse pedaço da França, onde é fácil encontrar uma paella nos restaurantes e a cultura cigana está muito presente – o grupo Gipsy Kings é de lá. Outro ponto importante para a atração do artista espanhol foram as touradas, tão apreciadas por ele, que doou para Arles uma coleção com 57 desenhos. Os trabalhos estão hoje expostos no Museu Réattu, que guarda ainda no seu acervo duas pinturas de Picasso. A tradição artística da cidade vem desde a Antiguidade, e Arles tem um dos mais preciosos conjuntos de construções romanas da Europa, incluindo aí toda a Itália. Com aproximadamente 2 mil anos, o imenso patrimônio arquitetônico não é apenas uma coleção de monumentos antigos convertidos em cenário para fotos e visitas guiadas. Ainda hoje, ao menos duas dessas construções clássicas são usadas em eventos fundamentais no calendário arlésien, cumprindo praticamente as mesmas funções para as quais foram criadas. No chamado Teatro Antigo, com capacidade para 12 mil espectadores, que teve as arquibancadas remodeladas, acontecem shows e peças. O lugar é um dos palcos do festival Les Suds à Arles, por exemplo, que acontece entre os próximos dias 11 e 17 de julho, com músicos de várias partes do mundo, como o americano Beirut, o português Antonio Zanbujo, o espanhol Paco Ibañez, os chilenos do grupo Chico Trujillo, entre outros, incluindo o pernambucano Silvério Pessoa. Ainda mais impressionante é a arena tipo coliseu, com capacidade para 20 mil pessoas, onde são realizados alguns dos eventos mais importantes da cidade, desde condecorações políticas até as touradas, uma tradição na região. Capital da região de Camargue, subdivisão da Provence, Arles é famosa pelos muitos festivais de seu calendário, a grande maioria acontecendo entre os meses de julho e setembro, o que faz desse período o mais cheio e concorrido na cidade, coincidindo com as férias de verão do Hemisfério Norte. Parte da riqueza antiga do lugar pode ser conferida no museu arqueológico. A moderna construção, erguida em 1995, abriga uma coleção de peças encontradas na cidade e nos arredores, incluindo objetos de uso cotidiano, mosaicos, esculturas e até sarcófagos, além de uma reprodução da cidade no século IV. A cidade abriga a École Nationale Supérieure de la Photographie. E fazer foto bonita ali é fácil. Para celebrar a fotografia, entre os dias 4 de julho e 18 de setembro acontece o festival Les Recontres d’Arles, com 47 exposições diferentes. Também é realizado um famoso festival de fotos de nu artístico, reunindo alguns dos nomes mais importantes da categoria. Outro artista fundamental para os que visitam Arles atende pelo nome de Jean-Luc Rabanel, um dos chefs mais conhecidos da Provence, que tem dois restaurantes na cidade: o L’Atelier, com duas estrelas Michelin, com menus degustação a partir de 55 euros, e o bistrô vizinho À Côté, que deixa visível a influência espanhola na região e no trabalho do chef. Foi neste segundo restaurante, mais descontraído e informal, que jantei antes de beber um vinho de saideira no Café Van Gogh. Rabanel serviu um foie gras temperado com páprica picante, acompanhado de cogumelos salteados e uma adorável compota de abacaxi com baunilha, seguido por uma espécie de brandade de bacalhau. Para a mesa ao lado saiu uma bela e perfumada frigideira de mariscos, camarões e tiras de linguiça, preparados à provençal, no caso, temperados com vinho branco, ervas e alho.”

A excelente matéria também mostra Sainte-Maries-de-la-Mer, Saint-Rémy-de-Provence e Aix-en-ProvenceLeia a reportagem completa aqui.

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One Reply to “Uma visita à Arles feita pelo repórter Bruno Agostini, de O Globo.”

martina
25 setembro 2011
Muito bom relembrar a provence e Arles que foi para nós a porta de entrada em junho último, quando lá estivemos! Um lugar encantador! mágico! A Arena Romana! os bistrôs e cafés numa praça coberta de árvores! as pequenas ruelas, muitas flores em meio a construções milenares! Um sonho real!!! Muito obrigada ao Bruno por partilhar conosco!abraços! martina
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